dual

Quando a câmera não existe, a vida segue rindo de si, desinibida, roliça sobre os sofás do mundo.

Movimentos começam e terminam sem o drama da representação. Há significado, mas ele é remoto, fora de alcance.

O ser humano é o elemento problematizador, por vezes cíclico, não raro crítico de suas ações. A lente é o instrumento de expressão, de defesa, de desbravamento do mistério que ele sente existir em seu interior.

O papel do observador é o de intruso, mas um intruso ingênuo de si mesmo, uma criança curiosa.

running around

No alto da trilha, o destino vadiava. A poeira seca e sufocante que se expandia a partir do atrito de nós dois impedia nossos passos, ainda que urgentes.

Fingia ser rocha, sólida, imponente, pedaço de planeta, mas era só poeira mesmo, só migalhas, decomposição do que outrora pulsava.