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Earth is a paradise full of diversity, of cyclic movement, of beautiful landscapes and breathtaking sunsets. When seen from space, our homeplanet is a blue gem decorating the spacetime fabric of this solar system.

It is truly remarkable that in this vast (perhaps endless) universe, we have such an address.

When I say we, I refer to the human race. Modern humans are one of the many life forms that inhabit this place, but one that has prospered consistently throughout the geological ages and evolved to such an extent that it rules over the fate of most of other species.

You can go as far as to say that we are the absolute rulers of our backyard because of our unparalleled sense of self-awareness and awareness of our surroundings. Such a reflexive knowledge was acquired through the successive experiences of many generations.

In 2017, humanity is composed of more than seven billion people. This extraordinary number is distributed across the globe by geographical and social boundaries of all shapes and sizes. These lines, however helpful, sometimes blur the fact that whole planet is, in fact, our home.  We are not only compatriots of a specific nation; we are citizens of the Earth.

Even after all the ages of natural selection and social revolutions, we are still struggling to accept differences. We resist seeing ourselves as a part of a planetary unity. In fact, we are prone to regard our existence and development as separated from those of other species, as well as detached from the environment.

This limited perspective reveals itself in a number of selfish tendencies, which lead us to careless go through life ignoring our astonishing potential to transform this transitory home of ours into a better place. It materially prevents us from working towards the sustainable solutions that would take us safely into the future.

Hunger, war, torture, genocide, child labor, slavery, poverty, widespread pollution of oceans, land and atmosphere. These are all profound wounds generated by our lifestyles, byproducts of a cruel profit-driven global market that seeks its perpetuation regardless of the consequences.

But these maladies have always existed, you may argue. Every human group that has ever lived, has had its oppressors and its oppressed. Sparks of creativity and glory occur as often as peaks of violence and catastrophe. Atrocity is not exactly twenty-first century novelty. Instead, it has been written in our encyclopedia since the dawn of our time here.

Are corruption and war essential to our existence, as much as love and peace? Is there a permanent co-dependency between these antagonists or is this just a transitory stage filled with paradoxes that must be transposed? How do we evolve from here? How do we effectively leave behind these shadows as a butterfly leaves its cocoon?

We ought to grow out of these dilemmas before stepping into a new reality. We must, as our pre-historical ancestors have done before us, abandon the hunting-gathering prospect (whose contemporary equivalents are the reckless exploitation, pollution and exhaustion of natural resources) in favor of a shared state of well-being.

We now stand on social structures based on a exploitative and intrusive approach, but we’ll slowly walk towards an increasingly sustainable society. This will be the revolution of our lifetimes.

In a global phenomenon of collective effort, we and the next generations will face the challenge to step out of our protective shells in order to raise our conscience to a level of global healing.

If you think we have already gone too far in the destruction path, remember that we are problem-solvers. If there are multiple setbacks and difficulties, then there must be an equal amount of solutions and alternatives.

We haven’t been here for very long, yet we already accomplished some truly remarkable deeds. From the ability to communicate in different languages to the technology that allowed us to send robots and messages into uncharted space, one can see the rate with which our young civilization thrives.

If humanity is to have a future, such puzzles must be solved and the wounds mentioned before fully healed. Our homeplanet may not be as pristine as it was in its first days, but it still has an enormous potential to provide food and shelter for all of us if dealt with carefully and respectfully.

We are the agents of change. This is the role we must learn to recognize in order to take responsibility for our actions. This is how we’ll evolve into our better selves.


Quando a câmera não existe, a vida segue rindo de si, desinibida, roliça sobre os sofás do mundo.

Movimentos começam e terminam sem o drama da representação. Há significado, mas ele é remoto, fora de alcance.

O ser humano é o elemento problematizador, por vezes cíclico, não raro crítico de suas ações. A lente é o instrumento de expressão, de defesa, de desbravamento do mistério que ele sente existir em seu interior.

O papel do observador é o de intruso, mas um intruso ingênuo de si mesmo, uma criança curiosa.

running around

No alto da trilha, o destino vadiava. A poeira seca e sufocante que se expandia a partir do atrito de nós dois impedia nossos passos, ainda que urgentes.

Fingia ser rocha, sólida, imponente, pedaço de planeta, mas era só poeira mesmo, só migalhas, decomposição do que outrora pulsava.


you should know

No início, não entendi bem o que ela dizia.

Seus lábios moviam-se em câmera lenta e tudo estava fora de foco. O céu era claro demais, de um branco quase incômodo, e eu sentia náuseas, como se estivesse lendo dentro de um veículo em movimento.

Assim que comecei a captar os sons, passei a traduzi-los. Uma delas falava sobre o universo, enquanto a outra lutava para prender os cabelos com um elástico apertado demais.

A mulher que falava gesticulava animadamente, explicando que o universo conhecido só é possível porque as grandezas tempo e espaço existem de forma separada.

Todos nós existimos em algo que parece com um tecido, um tecido de espaço-tempo, dizia ela. Os corpos celestes estão inseridos nele. As torções nesse tecido são o resultado direto de uma explosão inicial (como as ondas se propagando na superfície de um lago a partir de um ponto de impacto central).

Chamamos esse evento de Big Bang. Big Bang é a expressão que descreve como um ponto de densidade inimaginavelmente alta explodiu, dando origem ao universo, que, por consequência, está em constante expansão.

Agora vem a parte interessante.

Nesse momento, ela baixou a voz e disse, em tom de confissão, que o Big Bang nada mais é do que um ponto em que tempo e espaço formaram uma grandeza única.

Sua interlocutora fez uma careta de quem não entendeu.

Fica difícil para o cérebro humano conseguir processar tempo e espaço unificados. É algo que extrapola nosso escopo de compreensão, e até de imaginação.

Aqui, adotou uma postura especulativa. Sombras de dúvida nublaram seu rosto.

Quando voltou a falar, parecia ter perdido um pouco da animação inicial. Basta saber que tal fenômeno é tão insustentável que resultou em uma explosão.

Ela tirou um papel da bolsa e mostrou à companheira, que parecia ter desistido, momentaneamente, do elástico.

O papel mostrava um gráfico, com as duas grandezas dispostas de forma perpendicular.

Havia um campo amarelo entre elas. Jéssica apontou para ele e disse que era o tecido no qual podemos existir. Por enquanto, ressaltou. Já sabemos que daqui alguns milhões de anos a expansão tornará a vida no universo uma impossibilidade.

Agora feche os olhos, ordenou bruscamente. Imagine que é possível reproduzir os traços e vetores repetidas vezes, formando um padrão geométrico infinito.

O fenômeno que conhecemos por Big Bang é cíclico. Isto quer dizer que a convergência dessas duas grandezas não foi um acontecimento único.

Não foi? Eu sempre ouvi falar de um só, questionou a outra.

Não. A convergência se repete. Estamos inseridos numa estrutura que se retroalimenta, saca?

Que maluquice, Jéssica.

Pois é.

Então elas se deitaram na grama, cruzaram as mãos sobre a barriga e passaram a encarar aquele céu estourado sem dizer mais uma palavra.