Uma reflexão sobre o poder das palavras

Com frequência, penso em como utilizar as palavras para modificar a realidade que me cerca. Penso nisso quando falo e sobretudo quando escrevo.

Será que cada palavra escrita impacta de forma concreta a existência de quem a lê? Afinal, qual é o potencial revolucionário contido nesses aglomerados de letras e fonemas?

Para começo de conversa, palavras são estruturas simbólicas que transmitem ideias. Essas estruturas têm o poder de registrar o abstrato e de traduzi-lo em conhecimento acessível, viabilizando o diálogo, a troca de informações, além da construção e acúmulo de conhecimento geração após geração.

Historicamente falando, foi a criação de um sistema de comunicação estruturado que permitiu o surgimento das primeiras sociedades organizadas. A escrita foi a base a partir da qual as civilizações ancestrais do Crescente Fértil, por exemplo, puderam se desenvolver.

Embora o formato da comunicação tenha evoluído (dos papiros egípcios e placas de argila sumérias para as telas luminosas dos tablets e smartphones), as palavras continuam desempenhando a mesma função.

Um dicionário nada mais é do que um repositório de conhecimentos acumulados durante séculos sob a ótica de um idioma específico. Nele, cada palavra representa um conceito e transmite um significado.

O elo perdido

Por transmitirem significados, as palavras funcionam como pontes, conectando diferentes individualidades e temporalidades longínquas.

Ao colocar uma ideia no papel, você está viabilizando um conceito, dando-lhe nome e endereço.

O que seria a leitura de um texto escrito no século IV a.C, como A República de Platão, senão o estabelecimento de um contato com uma temporalidade distinta? Escritor e leitor estão separados por um oceano de tempo e de espaço, e, ainda assim, unidos por uma mensagem. Esse paradoxo representa, para mim, o poder transcendental da escrita.

Essa noção de que as palavras funcionam como pontes conectoras entre indivíduos e posições díspares inspira minha prática e meu pensamento. É a partir das palavras que posso verbalizar e sedimentar ideias, projetar alternativas de ação, provocar mudançar e criar soluções.

É por meio delas que busco refletir sobre a condição humana no século presente, sobre sua jornada até aqui e sobre os possíveis caminhos até um futuro próspero e igualitário.

Há alguns meses, publiquei um texto sobre como nós, seres humanos, somos agentes da mudança. Ele está disponível na plataforma Quora.com, em inglês, e no Portal Raízes, em português.

Em ensaios como esse, convido o leitor a refletir sobre sua individualidade e sobre seu papel na odisseia humana.

Criar consciência a respeito da importância desse papel e de que é possível evoluir e impactar positivamente a realidade que nos cerca é o primeiro passo para perceber que as coisas não precisam permanecer do jeito que estão. Tudo em nossa história foi construído coletivamente e tudo é passível de ser modificado.

Imagine uma Terra em que não há guerra, não há fome, não há repressão ou intolerância. Imagine uma realidade em que todos têm as mesmas oportunidades de desenvolver seu intelecto. Pense num futuro em que o foco está no desenvolvimento do ser humano, um futuro no qual voltamos nossa mente questionadora e capacidade criativa para nosso potencial evolutivo.

Esse é o estado de harmonia e aprendizado que eu espero que nossa espécie alcance.

Como posso contribuir para esse futuro? Escrevendo. Essa é minha forma de fazer a roda da evolução girar, de contribuir para a construção do conhecimento coletivo e para o despertar da consciência individual.

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